terça-feira, 19 de outubro de 2010

Principio ALARA ou Principio de Otimização

ALARA

ALARA (As Low As Reasonably Achievable) é um acrônimo para a expressão “tão baixo quanto razoavelmente exequível”. Este é um princípio de segurança de radiação, com o objetivo de minimizar as doses a pacientes e trabalhadores e os lançamentos de resíduos de materiais radioativos empregando todos os métodos razoáveis.

Bases para ALARA

A filosofia atual de segurança da radiação é baseada no pressuposto conservador de que a dose de radiação e seus efeitos biológicos sobre os tecidos vivos são modelados por uma relação conhecida como “hipótese linear”. A afirmação é que cada dose de radiação de qualquer magnitude pode produzir algum nível de efeito prejudicial que pode se manifestar como um risco aumentado de mutações genéticas e câncer. O principio ALARA é usado como base para orientar todas as etapas do uso médico de radiação, os projetos de instalações dos equipamentos de irradiação e os procedimentos de proteção.

Implementação do programa ALARA

Um programa ALARA eficaz só é possível quando um compromisso com a segurança é feito por todos os envolvidos. As diretrizes e regulamentos não exigem apenas aderência aos limites de dose legal para o cumprimento regulamentar, mas também a investigação das doses que servem como pontos de alerta para o início de uma revisão do trabalho prático de um trabalhador de radiação.

Redução de Exposições de Radiação Externa

Os três princípios fundamentais para auxiliar na manutenção de doses ALARA são:

  • Tempo – minimizando o tempo de exposição direta, reduz-se a dose de radiação;
  • Distância – dobrando a distância entre o corpo e a fonte de radiação, a exposição à radiação será dividida por um fator quatro;
  • Blindagem – materiais de absorção utilizando plexiglas para as partículas beta e chumbo para raios X e raios gama são uma forma eficaz de reduzir a exposição à radiação.

Efeitos da Radiação, segundo a International Comission on Radiological Protection (ICRP 2266[1])

Os efeitos estocásticos dependem da dose e não têm limiar, levam à transformação celular, com alteração aleatória no DNA de células que continuam a reproduzir-se, a exemplo dos efeitos hereditários. Já os efeitos determinísticos têm limiar de dose; a severidade do dano aumenta com a dose, a exemplo da esterilidade (na faixa de 2,5 – 6 Gy).

Dose Efetiva

A dose efetiva (E) é a relação entre a probabilidade de efeitos estocásticos e o equivalente de dose. Depende também do tecido irradiado. É necessário definir a nova grandeza, derivada do equivalente de dose, para indicar a combinação de doses diferentes para diversos tecidos, de tal modo que fique bem relacionada com os efeitos estocásticos devido a todos os órgãos. Já em 1977, a ICRP introduziu o conceito de “equivalente de dose efetiva” como uma dose média ponderada por fatores de peso derivados do risco de morte para trabalhadores causados por câncer nos órgãos irradiados. A dose efetiva é estimada pela seguinte equação:



wT - é o fator de ponderação do tecido T;

HT – é o equivalente de dose a ele atribuído;

∑ wT = 1 (de acordo com o ICRP 103, 2008[2]).

O limite de dose efetiva do trabalhador é 20 mSv/ano; já o limite para o público é de 1mSv/ano (em casos especiais, pode ser usado um limite maior sem ultrapassar 1mSv/ano). Em circunstâncias especiais, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) poderá autorizar um valor de Dose Efetiva de até 5 mSv em um ano, desde que a Dose Efetiva média em um período de 5 anos consecutivos, não exceda a 1mSv por ano.

Como são os limites de doses anuais ocupacionais relacionados com o conceito ALARA?

Os limites de dose anuais de trabalho foram derivados de um estudo sobre os efeitos biológicos de radiação observados nos seres humanos e animais durante o século 20. Os limites máximos são promulgados de acordo com o quanto o trabalhador deverá ser exposto à radiação a ser aplicada e se isso resulta em um nível de exposição seguro.

Limites máximos de dose anual ocupacional:

De corpo inteiro ... ... ... ... ... ... ... ... 0,05 Sv

Extremidades ... ... ... ... ... ... ... .... 0,5 Sv

Cristalino ... ... ... ... ... ............... .. 0,15 Sv

Os indivíduos do Público em Geral ... 0,001 Sv

O conceito ALARA impõe menor limite de dose ocupacional, que é ainda mais restritivo do que o limite máximo de dose legal da tabela acima. Isso garante um fator de segurança reforçada para os já considerados níveis seguros de doses anuais para os trabalhadores contra a radiação. Os limites de dose de radiação têm como objetivo impedir os efeitos determinísticos e limitar efeitos probabilísticos. Os limites primários anuais de Equivalente de Dose são estipulados pelas Diretrizes Básicas de Radioproteção da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), (NN 3.01) [3].

Níveis de risco, segundo a CNEN – ( Posição Regulatória 3.01/004[3]):

- Nível de registro (0,2 mSv/mês para Dose Efetiva), aplicado no programa de monitoração individual;

- Nível de investigação (para Dose Efetiva 6 mSv/ano ou 1 mSv/qualquer mês), valor acima do qual justifica-se investigação relativa a um determinado evento;

- Nível de intervenção (1,6 mSv/mês para dose efetiva), interfere na cadeia normal de responsabilidades com o afastamento do profissional para a investigação. Cada caso deve ser analisado cuidadosamente.

O que acontece se um trabalhador ultrapassar a dose ALARA de investigação?

Se a dosimetria de radiação de um trabalhador indicar que um nível de investigação tenha sido excedido, é enviada uma notificação para o trabalhador e as suas doses passam a ser monitoradas de perto durante o restante do ano civil; deve-se, então, discutir os métodos de trabalho para limitar a dose potencial.

ALARA e os cuidados com a trabalhadora grávida

1- Recomenda-se um máximo de 1mSv na superfície do abdômen da mulher durante toda a gravidez (CNEN NN 3.01[3] ítem 2.4.22);

2- Toda trabalhadora gestante deve ser afastada das áreas controladas (MT NR 32 item 32.6.3[4]).

Referências específicas

[1] Comissão Nacional de Energia Nuclear, CNEN- Diretrizes Básicas de Proteção Radiológica, janeiro/2005 (CNEN NN 3.01), disponível em http://www.cnen.gov.br/seguranca/normas/mostra-norma.asp?op=301 .

[2] International Comission on Radiological Protection, ICRP - Biological and Epidemiological Information on Health Risks Attributable to Ionising Radiation: A summary of Judgements for the Purposes of Radiological Protection of Humans, fevereiro/2006 (ICRP 2266), disponível em http://www.icrp.org/Health_risks.pdf

[3] Comissão Nacional de Energia Nuclear, CNEN - Restrição de dose, Níveis de referência ocupacionais e classificação de áreas (Posição Regulatória 3.01/004), disponível em

http://www.cnen.gov.br/seguranca/normas/mostra-posreg.asp?op=301&np=04 .

[4] Ministério do Trabalho e Emprego, MTE - Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde, novembro/2008 (MT NR 32), disponível em http://www.mte.gov.br/legislacao/normas_regulamentadoras/nr_32.pdf .

Referências gerais

Universidade da Carolina do Norte - http://www.ncsu.edu/ehs/radiation/forms/alara.pdf (acessado em 13/09/2010)

Instituto Nacional de Câncer (INCA), Mini Curso de Radioproteção – disponível em http://www.inca.gov.br/pqrt/download/trab/minicurso_radioprotecao_aula4.pdf (acessado em 13/09/2010)

Cordeiro, Thaiana P. V,, Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Rio de Janeiro – disponível em http://www.con.ufrj.br/MSc%20Dissertacoes/2009/dissertacao_thaiana1702.pdf (acessado em 18/09/2010)

Outros Links de interesse para o assunto

http://www.icrp.org/Health_risks.pdf

7 comentários:

  1. gostaria de saber qual o limite aceitável,para pacientes em leitos de uti´s ?.

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  2. voçês não teriam aí para postar alguma tabela dizendo o,o2Sv =2 rem ; o,o5Sv = 5 rem etc...

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  3. Prezado,

    O limite de dose no caso de um paciente internado na uti vai depender do custo benefíco.ou seja se for importante estar monitorando algum procedimento como passagem de sonda ou acesso central este sim será aceitável.

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  4. Sou profissional da área e tenho observado um descaso muito grande da parte médica com o uso do raio-x, excesso de exames desnecessários para crianças me preocupa bastante, pois vejo pedidos de exames onde o medico pede exames do corpo todo da criança aumentando significativamente a possibilidade desta criança desenvolver um câncer, espero que alguém que tenha influência leia este comentário e tome algum tipo de providência.

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    1. isso mesmo vem aumentando bastaante o usoo da radiaçao desnecessaria...temos que tomar o cuidado e ve se o exame é tao necessario msm

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  5. eu acho muito descaso com as pessoas leigas, falta ética profissional...eu sou profissional e sinto muito pela falta de respeito a todos..

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